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| um jornal? uma revista? | |||
| edição n.º 10 | conteúdos | rui ângelo araújo | |
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conteúdos
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Por amor de Deus, não leia!
Muitos vêem as publicações regionais como
meras montras das vaidades locais ou bandeiras de bairrismos bacocos. Algumas são-no.
Aqui tentamos contrapor ao trivial, as artes; ao efémero, a marca
indelével da poesia (esquecendo de propósito a “versalhada”); à
boçalidade do quotidiano, a “anacronismo” da literatura; à tecnocracia iletrada
e anquilosada dos poderes, o sorriso do desdém; ao pântano da politiquice, a
gargalhada sã do desprezo: ao pensamento único da pimbalhice, a
“imoralidade” do pensamento aberto e exigente. Não tentamos pouco, convenhamos.
Alguns dirão que tentamos fazer cultura. Para intelectuais — pasme-se!
São alcunhas que usualmente aplicam para as coisas distantes e antipáticas
às massas. A cultura quando não é popularucha é impopular.
Assumamo-lo (Assumimo-lo.) Este país é o testemunho disso. Mas mais importante
que os rótulos vazios de conteúdo que dominam o vocabulário politicamente
correcto são os conteúdos que fazem o EITO FORA.
Neste número, porque há coisas que, de tão reles,
dão vontade de rir, temos “imoralidades” impróprias para pessoas decentes e
sensíveis. A ignorar. Fazemos também, pela primeira vez, um mea culpa
público. Temos pecado perante o Leitor, é verdade. Como remissão,
convidamo-lO a desancar o EITO FORA, e fornecemos-Lhe o material.
Não somos como a Caras, não vamos a casa das pessoas.
Mas interessa-nos o que fazem quando é bem feito. Entrevista e perfil de gente
interessante. Transmontanos.
«A emergência da História elege apenas os grandes. Guerreiros,
Reis, Navegadores e Presidentes. (...) Por seu turno o Património escolhe outra via.»
Luís Teixeira escreve “In Memoriam” de Artur Moreira, colocando-o, justamente,
na história de Vila Pouca, enquanto promotor da modernidade. (Não,
não se fala de betão.)
A literatura está fora de moda — não resiste à
globalização das coisas fúteis. É anacrónica. Aqui
é esboçada em (ana)crónicas.
E depois há tudo o resto (que não é pouco), para
contrariar as estatísticas.
Aquilo que humildemente lhe pedimos, Leitor, é que leia. Depois
pode deitar fora.
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transmontano sem preconceitos |
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